CAMILLE CLAUDEL 1915

Trata-se do filme do cineasta francês Bruno Dumont, “Camille Claudel 1915”, que eu revi esta tarde. Sempre é muito difícil ver ou rever uma obra desse cineasta porque ele não poupa quem o assiste de sofrer duramente mesmo com os dramas que apresenta de forma analítica e individualizada. Dumont é um cineasta relativamente novo do fim do século XX e começo do atual e que realmente não é pessimista mas faz com tranquilidade a entrada nos meandros das vidas de forma individualizada, repito. É um filme curto de apenas 90 minutos mas tem a dimensão tão densa que lhe deixa como espectador realmente cansado. Cansado mais inteiramente satisfeito pela experiência dramática que lhe fizeram passar. No caso de Camille Claudel talvez fique mais denso ainda pois é a estória real da escultora francesa conhecida e seu irmão, Paul Claudel, é também um famoso poeta. E o amante de Camille, que não aparece na história, é o escultor autor de ‘O Pensador’, Auguste Rodin, mais conhecido ainda. Então o espectador vive uma ‘estória real’ biográfica mesmo que Bruno Dumont narre seu verdadeiro poema como não a narrativa de uma vida mas sim a criação de uma obra de arte cinematográfica. Por Camille ser uma figura muito conhecida sem dúvida ele escolhe uma atriz também famosa para viver o papel e essa se transforma numa mulher de uma grande sensibilidade vivendo um drama verdadeiro. Mas artístico. Maravilhosa a interpretação de Juliette Binoche que se passa verdadeiramente por personagem convivendo com reais doentes de um asilo no sul da França. Além de tudo tem o envolvimento da música seca e belíssima de Juan Sebastian Bach. Vale a pena ainda se preocupar um pouco na análise da figura do poeta católico Paul Claudel que simplesmente considera mais apropriado deixar a irmã ficar presa por quase 30 anos num asilo para doentes mentais. Dumont o representa de forma excelente através do ator Jean-Luc Vincent que chega para sua visita ao asilo guiando um veículo da época.

 

Bairro Novo       14 dez 2016                                      

DA ‘AS MIL E UMA NOITES’

Esta tarde revi um dos grandes filmes de Pier Paolo Pasolini, “Il fiore delle Mille e una notte ”. E embora se traduza sempre como “As mil e uma noites” é importante notar que Pasolini titulou sua obra antes com um ‘il fiore’ , o que se pode traduzir como ‘o mais especial’ ou ‘a flor’ de ‘as mil e uma noites’. Trata-se muito claramente de uma obra com um grande trabalho cênico desde os cenários até cada fala dos atores, inclusive um dos mais queridos de Pier Paolo, o Ninetto Davoli. As vezes tive a impressão de que as falas foram dubladas depois das filmagens e outras vezes não. O que fica porém é que o cineasta não estava nunca procurando refletir a realidade mas sim dramatizar a cena de cada um. No conjunto o que temos é uma obra poética, uma poesia que fala com os diálogos e com as imagens. “Il fiore delle mille e una notte” nunca foi um dos filmes de Pasolini mais reverenciados admirados, entretanto numa revisão como esta que fiz hoje vejo como deve ter sido um dos trabalhos mais elaborados pelo artista. Enfim quando se ver filmes como esse voltamos a rever um verdadeiro cinema que é obra de arte.

 

Bairro Novo       13 dez 2016

CAFÉ SOCIETY

Temos que nos manter vivendo isto é fazendo as coisas normais da vida independente da situação em que está o país e pra mim ver filmes é algo comum. Foi o que fiz hoje à tarde vendo o filme desse ano de Woody Allen, “Café Society”. Ver os filmes depois que eles saem dos cinemas é bom também  até porque então já temos lido as críticas em geral. E esse Woody Allen mereceu muitos elogios inclusive de que poderá ser o melhor filme feito no século atual. Pra mim considero que “Café Society” não é mais destacável do que os outros está simplesmente no mesmo nível. Woody Allen é um cineasta que sempre fez um cinema de um nível só. Isto é não tem nenhum filme que é extremamente excepcional mas todos eles me parecem bons. Se você juntar numa maratona todos os filmes de Allen você vai vendo e os temas serão sempre parecidos e você gostará mais de certos momentos. É claro que “Manhattan” ou “Noivo neurótico noiva nervosa” se destacam. Como outras sequências. Mas o cinema woodialiano é de uma quase monotonia no seu geral. Nunca que ele fez um filme possível realmente de ser dito bergmaniano. O cineasta Woody Allen é entretanto um profissional especial isto é faz filmes de acordo com o seu gosto e o seu desejo e não se submete inteiramente aos produtores. A gente assiste “Café Society” e muitas vezes se sente com a sensação de que ‘já vi esse filme’ e logo se lembra de que não pois se trata de uma produção recente. Viva Woody Allen !

 

Bairro Novo        12 dez 2016

O poder !  Engraçadinhos

Fica gente cuja tarefa sempre foi defender o poder como Merval Pereira e a Veja choraminguando porque a Odebrecht ‘comprava o poder’, e Merval diz: estarrecedor. Quanta hipocrisia pois o capitalismo e os capitalistas nunca pensaram duas vezes sobre a maneira que têm de fazer para ‘ganhar dinheiro’. Será que alguém não sabe que no capitalismo o mais importante é saber ‘ganhar dinheiro’? a Odebrecht apenas fez com total competência o que todas as empresas fazem. Isso é o CAPITALISMO. Começaram uma ‘brincadeira’ para derrubar o Partido dos Trabalhadores e agora já não sabem o que fazer. CUIDADO com as ‘ratazanas’ que elas estão soltas ou como diz o comandante do Exército (hoje no Estadão) ‘tem chega maluca por aí e ficam nos chamando para assumir o poder’, CUIDADO.

 

Bairro Novo     11 dez  2016 

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