BENJAMIN E KAFKA

Walter Benjamin é quase como um amigo que a gente perdeu aos 40 anos e isso pela ação nazista de Hitler. Por falar nisso não penso em que Donald Trump seja um novo ditador como estão dizendo. Benjamin é um dos maiores filósofos do mundo moderno e eu sempre o utilizei quando dava aulas na Católica particularmente no ensaio “A obra de arte no tempo de sua reprodutibilidade técnica” onde ele coloca o cinema como realmente a arte do mundo moderno. Hoje a teoria de Walter Benjamin não atingiria mais o cinema especificamente mas sim tudo isso que hoje temos a partir da linguagem digital. Esse digital certamente não tem a mínima aura mas é o novo ‘ser criador’ do mundo pós-moderno. Os cineastas que procuram fazer cinema com essa linguagem tradicionalista me parecem artistas muito antigos e não atuais. Voltando ao assunto: é que reli o ensaio de Benjamin sobre Franz Kafka que é uma das obras realmente grandiosas do filósofo alemão que morreu tão jovem assassinado como Glauber simplesmente pela maldade humana. Walter B olha para a obra de Kafka pelo lado do ser judeu, ambos eram judeus. E ele vai buscar a opressão no pai judeu com o qual ele próprio se enfrentava pois de certa forma Adorno se comportou para ele como uma espécie de pai patrão. Benjamin analisa o personagem central da obra de Kafka a partir do personagem das novelas “O Processo”, “O Castelo” e “América”. E ele situa os ambientes como ser fundamental de cada novela e no caso da América é bom lembrar que esse país continua submisso ao pai e por isso elege pessoas como Donald Trump. Das muitas interpretações que se fazem do mundo ficcional de Kafka esse criado por Benjamin é dos mais concretos. Lembro-me do professor Leônidas Câmara e suas aulas singulares acerca do mundo kafkiano.

 

Olinda     Bairro Novo      e a brisa nos chega  em         24.11.2016

JORNAIS OU BLOGS?

Hoje você tem a chance de se informar sem nem mesmo ler qualquer jornal. E isso porque tem os sites de informação como o UOL, Globo, etc e os blogs. Eu não me acostumei a ler blogs. Leio hoje quatro jornais diariamente. O JC que leio da primeira a última página. O Globo que apenas olho a 1ª. Página e logo passo para o caderno de cultura. E também faço assim com a FSP e com o Estadão. Leio todos no meu iPaid. E assino assim apenas na versão digital. Não leio mais jornais em papel. Fico informado principalmente quanto a cultura. Ou talvez nem se possa dizer mesmo cultura. Ou ‘divertissement’. Nesses jornais muitas vezes tem boas matérias. Sem dúvida. Penso que daqui há uns poucos anos os jornais terão que se adaptar à internet e fazer um outro tipo de jornal, especialmente para esse sistema. Fica muito mais barato para a produção. Não leio como quase todo mundo nos celulares porque a minha vista não permite. O iPaid é ótimo para mim.

 

Olinda         22.11.2016

“ELLE’ NO CINEMA

“Elle” não é a revista mas sim o filme de Paul Verhorven que num ato de volta ao passado vi ontem num cinema da Rosa e Silva do grupo de Paulo Menelau. Digo de ato do passado porque hoje vejo filmes na TV e acho bom. No cinema o bom é que encontramos (em alguns cinemas que passam bons filmes) amigos e companheiros cinéfilos como aconteceu ontem. Mas o filme do cineasta holandês me interessou porque na internet você encontra dezenas de críticas elogiando-o de nota muito bom a ótimo. De todos os resumos que li somente um crítico de O Globo fez restrições colocando duas estrelas ou que equivale a regular. Do ponto de vista cinematográfico sei que “Elle” é um bom filme mas conceitualmente acho inclusive que é uma obra talvez até desonesta ou feita com o intuito de agradar ao espectador de novelas televisivas. Isto é espectadores que não gostam de ver dramas autênticos. Que gostam de ser enganados. De terem a idéia de que estão vendo dramas mas sem chegar mesmo ao drama. Ficar repetindo a cena grosseira de estupro me pareceu de mal gosto. Horrível. Numa contra-cena com outros momentos medíocres novelescos. Certamente o mundo está assim mesmo gostando do medíocre tanto o sucesso que o filme está fazendo. Na cena final temos o máximo da simples piada com o comportamente humano.

Olinda          21.11.2016

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