POEMA DO HOMEM CÂMARA

Claro que eu não estou escrevendo um poema

Mas estou expressando poesia nessas palavras

Porque eu estou vivo embora esteja caminhando para 87 anos

Assim assim

Não me lembro de ter conhecido Dib Lutfi pessoalmente

Mas me sinto com uma evidência de tê-lo conhecido

Quando estava sendo filmado em Fazenda Nova

O filme de Sérgio Ricardo, “A noite do espantalho”

Dizem que foi Dib que fotografou mas eu me lembro

Quando fui lá com Spencer e falamos com José Medeiros

E não com Dib Lutfi

E que eu vi muitas vezes escrito erradamente Lufti

A imagem do filme de Sérgio era o puro barroco nordestino

E somente um Lutfi poderia tê-la criado com muita alegria

Gastei seis dias e seis páginas do JC escrevendo sobre ele

E tive a palavra de Dom Hildebrando sobre o nosso barroquismo

Lançado no Ribeira Mispe / Fundarpe Centro de Convenções

Com muitas e muitas festividades

Não era mais Cinema Novo 

Simplesmente fugia à ditadura em pleno 74

Triste não é simplesmente Dib Lutfi ter morrido

Mas sim saber que ele viveu 8 anos de alseimer

Esquecido de todos no Retiro dos Artistas

E morrido com uma broncopneumonia

Morre o homem fica a fama será?

Um mito do Cinema Novo vejam só

Merece só pequenas matérias nos segundos cadernos

Glauber foi muito falado mas todos sabemos que foi suicidado

Como mostra o filme de Geneton Moraes Neto Cordilheiras

Pela pobreza Que terra pobre como disse Carlos Fernando

Nordeste oh! Nordeste e brasis

Fico por aqui

Olinda         28.10.2016

ÚLTIMO FILME DE BABENCO

Esse último filme feito por Hector Babenco “Meu amigo hindu” tem nível criativo a ser comparado a um “8 ½” de Fellini. Claro que ele não o dirigiu pensando conscientemente que seria seu último filme. Mas provavelmente no inconsciente tenha tido essa sensação. “Meu amigo hindu” é denso desde as primeiras cenas. Depois de ver o filme, no Canal Brasil, como Filme do Mês, li uma crônica chamando o trabalho pernóstico. O que considero uma burrice. É uma obra triste mas como estética é alegre. Hector Babenco é um grande diretor de atores e mostra isso nesse último filme. Continua a mostrar isso. Ele faz o que quer com William Defoe que vive alguém a beira da morte. E consegue se representar pois Babenco sempre viveu a figura de um agressivo criador cinematográfico. Tal como acontece nos filmes de Fellini temos nas obras de Babenco momentos de cinema densamente reais. Não porque representem a vida mas porque são uma forma de viver. Isso é que é arte pura. Não é artefato para distribuir nos cinemas comerciais. “Meu amigo hindu” foi ficará como o momento certo exato para se terminar uma jornada de vida.

Olinda              26.10.2016

(coloco essa crônica de hoje como homenagem a minha filha Manuela que aniversaria hoje)

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